quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

APRENDI QUE O AMOR PRÓPRIO É TUDO !


Eu fui uma criança e adolescente muito tímida. Filha de pais muito rígidos e exigentes. Nunca me faltou o essencial e também nunca fui mal-tratada. Tive ótimos pais, responsáveis, amigos, mas pouco amorosos. Me tornei uma adolescente com problemas emocionais sérios, que eu escondia atrás da aluna inteligente e excelente que eu era. Ninguem percebia que a minha auto-estima era nula. Namorar para mim era problemão ! Eu só queria quem não me queria ! E isso minava cada vez mais minha auto-estima. Foi crescendo dentro de mim um sentimento enorme de rejeição. Me tornei adulta, de carreira promissora, mas sempre me envolvendo com os homens errados, e eu, tão frágil, fui ficando deprimida, cada vez mais solitária. Houve uma época em que tive uma crise forte de depressão e cheguei até pensar em suicídio, quase enlouqueci meus pais, coitados. A solidão que eu sentia era tão intensa, tão doída, que eu chorava convulsivamente quase todos os dias. Rezava muito e pedia à Deus que me ajudasse a acordar no dia seguinte. Começei então a fazer terapia. Tinha muitas perguntas e nenhuma resposta. Cheguei a achar que poderia ser um problema espiritual, karma, sei lá mais o quê. Então, já cansada de decepções, decidi que passaria o meu tempo comigo mesma, não gastaria mais meus minutos preciosos com quem não merecia. Se eu não encontrasse alguém que valesse a pena, ficaria sozinha até o fim. E assim fiquei por 2 longos anos. Até que em 2007, após uma troca de emprego, conheci aquele com quem namorei por 3 anos. Achei que era o homem da minha vida. Tínhamos uma vida social muito movimentada, saímos muito, viajávamos bastante, fazíamos tudo o que eu nunca tinha feito com ninguém. Mas minha intuição me dizia que alguma coisa naquele relacionamento estava errada, pois não me sentia feliz, valorizada, não me sentia amada. Mas mesmo assim, fechei os meus olhos e achei que era assim mesmo, que um dia seria diferente. Um pouco antes de terminarmos, o desgaste era visível. Por várias vezes perguntei o que estava acontecendo mas ele me dizia que eram coisas da minha cabeça. Então, do nada, sem mais nem menos, ele terminou tudo. Tratou o nosso relacionamento de 3 anos como se fossem 3 meses, não me deu a mínima chance, nada. Ninguém acreditava ! Na hora não acreditei, passei 1 mês esperando ele reconsiderar quando em um final de semana (era Páscoa) minha ficha caiu. Chorei sem parar por 3 dias. Era uma dor dilacerante. Eu achei que iria morrer de tanta tristeza mas, para a minha própria surpresa, eu não me deixei levar. Sofri sim, chorei muito. Vivi todo o luto que precisa ser vivido mas não me fechei. Alguns meses depois tive sorte de ser “encontrada” por alguém muito legal. Ele sabia de tudo. Gostávamos da companhia um do outro mas não nos apaixonamos, namoramos por 9 meses. Ele fez com que eu me sentisse viva novamente, desejada. Depois de algum tempo, já com coração mais leve, analisando o meu ex, constatei que ele não é feliz, pois não se entrega, não se envolve com ninguém, foge o tempo todo. Ele é capaz de namorar sem se envolver seriamente com alguém. Se é medo, imaturidade, não faço idéia e nem me interessa mais saber. Ele é o problema, não eu. Foi aí que percebi que estava cega, percebi que nunca me amei o suficiente, aceitei 3 anos de um relacionamento que me fazia infeliz. Sempre fui tão carente que achava que deveria aceitar qualquer coisa. Hoje, se houvesse a possibilidade de voltarmos, eu diria não. Mas se eu disser que de vez em quando não me lembro da nossa vida juntos, estarei mentindo. Tivemos ótimos momentos, não posso negar. Sei que gostava de mim mas eu queria mais, queria ser amada e ele nunca me amou. Vejo que sofri muito, me anulei muito, deixei que ele conduzisse o relacionamento, fazendo somente o que ele queria. Sempre fui bem tratada, mas nunca fui amada. Eu era infeliz e não tinha consciência disso. Até hoje ele ainda me liga para saber de mim (faz 2 anos que me deixou). Pelo o que conheço dele, provavelmente se sente culpado por não ter me amado como eu merecia, porque eu merecia ter sido amada. Ele sabe disso. Ele sabe que gastou o meu tempo, com ele se foi a última chance que eu tinha de ser mãe. Ele poderia ao menos ter falado que nunca se casaria novamente e que não queria ser pai de novo. Eu gostaria de ter sabido disso antes, eu tinha o direito de escolher. Mas quando eu perguntava ele desconversava, brincava com o assunto. Enquanto foi conveniente, ele foi ficando. E quando achou que não queria mais, me disse que queria ficar só, que queria se tornar uma pessoa melhor ... Mas 4 meses depois já estava com outra, recuperação rápida. .. Ele bem que tentou ser meu amigo mas eu não quis. Preferi o afastamento. Sou educada, amável mas distante sempre. Nunca movi um só dedo para que voltássemos, não permiti que se aproximasse, não pedi, não implorei, apenas me afastei e chorei o que tinha que chorar. Jamais teria ido para a cama com ele depois disso. Se ele não me quis inteira, não me teria pela metade nunca. Na verdade ele também nunca tentou isso. Ele tem vários defeitos mas é um homem de boa índole. Nesses últimos 2 anos, já namorei, fiquei, me decepcionei. Continuo vivendo e não desisti. Se ainda não achei quem quero, vivi belos momentos. Eu aprendi que o amor próprio é tudo ! Não é orgulho não, é escutar o próprio coração, saber o que te faz feliz, entender os próprios desejos, cobrar na medida certa. E outra coisa importantíssima: por mais que façamos, por melhor que sejamos, ainda assim isso não garante o amor de ninguém. Penso que somos mais amados pelo o que somos, nem sempre pelo que fazemos. Então, sejamos sempre nós mesmos, sem máscaras, verdadeiros. Se gostar fica, se não gostar, vai embora. Sem concessões. Simples assim.


História de Rome.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Opiniões Diversas © Copyright 2011. Tecnologia do Blogger.